Notícias

Quarta, 7 de Dezembro de 2011

Porto Alegre: otimismo e vontade de mudança

Enfrentar os mesmos problemas há anos, ouvir as mesmas propostas de solução para aquilo que também há anos é a pauta da cidade e, ao mesmo tempo, não ver sinalização concreta de que acontecerão mudanças estruturantes. Assim tem sido um pouco da rotina daqueles que acompanham os debates sobre o futuro da cidade. O sentimento oposto a isso, porém, é a certeza de que podemos mais, afinal, temos a riqueza e o potencial do nosso povo.

Hoje, 80% dos trabalhadores da capital estão na prestação de serviços. Isso deixa claro que temos uma vocação e, portanto, um rumo a seguir e investir! Além disso, avançamos economicamente, como nos comprovam dados publicados recentemente; teremos um dos nossos sonhos mais antigos realizados: o Cais Mauá será revitalizado; sediaremos a Copa do Mundo – e teremos, em função disso, altos investimentos do governo federal em nossa cidade. Ou seja, há bons motivos para que nossa esperança em uma cidade desenvolvida seja reforçada.

O otimismo dos porto-alegrenses é resultado disso e do momento que o Brasil vive, sem dúvida: crescimento de vagas de emprego, redução da taxa de juros, aumento do poder consumo, projetos sociais que geram resultados.

O sentimento que muitos dividem, porém, com esse otimismo, é de que Porto Alegre pode mais. E podemos. Durante alguns anos – é senso comum, mas sempre adequado repetir – Porto Alegre foi modelo, propôs inovações significativas, foi considerada uma cidade de vanguarda... 

Se o Brasil ganha importância no mundo, esse é o momento para Porto Alegre voltar a ganhar importância no Brasil. Por isso, é preciso aliar otimismo com um pensar grande, pensar do tamanho de Porto Alegre. A Copa é um motivo para pensar assim. É uma grande vitória sediarmos a Copa e termos os olhos do mundo voltados para nossa cidade. É preciso, porém, que ela seja pensada de forma pioneira. As obras do governo federal nós já conquistamos. Cabe à prefeitura dar à Copa o papel pioneiro que ela deve ter. Ou seja, pensar como a cidade pode dar um salto significativo – que gere um legado para o povo –, potencializando os investimentos ao máximo, gerando oportunidades para todos. A Copa tem que trazer ganhos para todos, e não pode simplesmente dividir a cidade entre uma parte incluída e outra excluída das obras. Esse é o papel do poder público municipal, usar esse momento para atrair mais investimentos e melhorar os serviços públicos. Precisamos de um bom gestor de obras, sim. Mas precisamos que esse gestor seja, também, alguém que pense os investimentos de forma estratégica, impulsionando o desenvolvimento e buscando alternativas para quando não houver uma solução clara.

Um exemplo: quem não está orgulhoso do projeto do Cais Mauá? Pois sua viabilização é resultado da atuação exemplar do governo estadual. Além da interlocução com todos os envolvidos, o Estado soube como realizar a obra através de uma parceria público-privada (PPP). Se não há recursos – como de fato não há –, é preciso buscar alguma alternativa.

E não se pode falhar nessa busca, porque o resultado é diretamente sentido pela população. A passarela da rua Conceição, por exemplo, que já tem uma vítima fatal, está há anos apresentando problemas. Desde a sua interdição – há seis meses – não foi sequer elaborado o projeto. Há quem culpe a vítima pela fatalidade. Mas não se pode culpar a população quando não houve previsibilidade da prefeitura. O poder público não pode deixar que o problema aconteça. É sua obrigação evitá-los. Quem anda pelas ruas e vive a cidade, sabe que existem problemas graves. Quem governa, precisa solucioná-los. Isso é a nova atitude política que a cidade quer.

Manuela d'Ávila
Artigo publicado no site Sul 21
Seja o primeiro a comentar este artigo!

Escreva seu comentário

enviar