Segunda, 13 de Fevereiro de 2012
Intolerância: até quando?
Um dos bairros mais tradicionais de Porto Alegre, cujas marcas sempre foram a diversidade e o respeito, foi palco de mais um episódio de intolerância e violência. O caso do estudante espancado após sair do cinema nos mostra uma realidade que aumenta a cada dia em nossa cidade e em nosso Estado. A mesma realidade que vemos horrorizados pela televisão em episódios na av. Paulista ou em redutos cariocas. Qual a diferença?
Porto Alegre não pode ter a marca de uma cidade preconceituosa. Deve, sim, reavivar o traço de cidade do respeito. Respeito para todos: de religião, de pensamento, de manifestação, de classe, de gênero e, também, de orientação sexual.
Aos que questionam e aos que são contra a tipificação da homofobia como crime, proponho que pensem o racismo. Uma agressão contra um negro não é diferente da agressão contra um branco. O que é diferente é a motivação. Se alguém agride uma pessoa pela sua cor ou raça, isso é um agravante ao crime já previsto em lei. A intolerância não pode ser despercebida ou ignorada em nossas leis. É isso que aconteceu com a lei que tipificou o racismo. É isso que propõe a lei que tipifica a homofobia.
Ao tipificar a homofobia como crime, não se está dizendo que um assalto contra homossexuais, por exemplo, é mais grave do que o assalto a um heterossexual, como sugestionaram alguns. A tipificação apenas pune aquele que age motivado pela orientação sexual da outra pessoa. É contra isso que lutamos.
Um outro exemplo é a violência doméstica. Antes da Lei Maria da Penha, as mulheres não tinham como denunciar seus agressores. Sob o medo e a vergonha, milhares de mulheres espancadas todos os dias sucumbiam ao silêncio, enquanto a violência não cessava. Foi preciso criar uma lei para que elas passassem a denunciar seus agressores.
O mais importante que o caso do estudante nos traz é resposta à pergunta: que cidade queremos ser e viver? Certamente uma cidade sem qualquer tipo de preconceito, que respeita a diversidade, valoriza o seu cidadão, pune a violência, e a previne acima de tudo. A história do mundo já nos mostrou que o preconceito e a intolerância nos levam a um caminho equivocado. E a história serve para isso, para que erros não sejam repetidos.
Manuela d'Ávila
Artigo publicado no Sul 21
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