Segunda, 13 de Fevereiro de 2012
Bairro a bairro: reconhecendo Porto Alegre
Em janeiro deste ano, iniciei um projeto chamado de Bairro a Bairro. Esse projeto me permitirá ir a cada bairro de Porto Alegre, conhecer de perto as vocações – os potenciais – de cada região e comunidade, ao mesmo tempo em que me mostrará, também, os principais problemas. Conhecer nossa cidade a fundo e mostrada pelas pessoas me possibilitará um diagnóstico verdadeiro e apontará o que é mais urgente e prioritário.
Na primeira edição do Bairro a Bairro, fui ao extremo sul de Porto Alegre. Estive em diversas comunidades do Lami, Ponta Grossa, Belém Novo e Lageado. Os problemas desses bairros são os mesmos e repetem-se em todas as comunidades. Vi e ouvi de perto as pessoas pedirem um mínimo de atenção e comprometimento, porque o básico ainda é negado a elas.
O que mais ouvi foi o apontamento de três necessidades mínimas, mas também fundamentais para a dignidade de cada um: saúde, saneamento básico e transporte. No Lageado, por exemplo, vi nas paredes das casas as marcas dos alagamentos. Ouvi relatos de ocasiões em que famílias perderam tudo o que levaram anos para conquistar. E a história não é de uma ocasião, ela se repete todos os anos.
Sem saneamento básico, sem investimentos em obras fundamentais, crianças brincam à margem de valões poluídos. Esses valões são a varanda das casas, correm ao lado de janelas, ou estão logo à frente da entrada das casas. Mesmo em um dia muito quente e sem chuva intensa há muitos dias, o esgoto nos valões estava em nível alto, ou seja, qualquer chuva o levaria direto para as casas. Não há barreiras.
Isoladamente isso é um grave problema. Ele é piorado na medida em que não há postos de saúde ou equipes de atendimento próximo aos locais em que estive. A proliferação de mosquito, sabemos, pode provocar doenças e, sem o devido atendimento, é complicado combatê-las e tratá-las.
Uma terceira prioridade que todos apontaram: transporte. O transporte coletivo não chega a essas comunidades e bairros em horários freqüentes. Quando chega, as pessoas precisam caminhar muito até encontrar uma parada. Há casos em que há apenas um horário de ônibus durante todo o dia. Como essas pessoas trabalham?
Ver de perto a história de vida dessas pessoas nos aponta caminhos que precisamos percorrer para buscar soluções. E farei isso em toda a cidade. Ouvir as pessoas é uma das melhores formas de propor transformações. Há soluções simples e viáveis. Por isso vale à pena percorrer toda a cidade, visitando cada bairro. Espero poder contar e compartilhar com todos, além de problemas, conquistas, porque apesar de tantos obstáculos, as pessoas trabalham duramente para superar tudo e melhorar de vida. E não há nada mais forte do que a obstinação das pessoas, que considero a maior riqueza da nossa cidade.
Manuela d'Ávila
Artigo publicado nos jornais GerAmigo, Restinga e Jornal do Centro
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