Sexta, 25 de Novembro de 2011
A inovação como fator de recuperação do 4° Distrito
Em Porto Alegre, as principais preocupações dos seus moradores, estão relacionadas à segurança, saúde e educação. Para os moradores do 4º Distrito, a situação não é diferente, porém, a segurança ganha maior destaque porque é um problema que as pessoas enfrentam todos os dias. Assaltos acontecem à luz do dia e o roubo de carros chega a ocorrer quase 20 vezes num só dia, segundo os boletins de ocorrência.
Um dos fatores que faz com que a região seja alvo de tantas ocorrências são os prédios e espaços abandonados. Locais que há alguns anos abrigavam fábricas, empresas e indústrias hoje estão abandonados. Isso aumenta a sensação e insegurança dos moradores, sem dúvida. Mas, afinal, como superar esse problema? Como fazer com que a região volte a ser uma das principais de Porto Alegre, como já foi durante anos?
Uma possibilidade é investir em tecnologia. Porto Alegre é uma das principais cidades do Sul do País na produção de conhecimento. Infelizmente, por não termos capacidade para absorver essa mão de obra qualificada, perdemos grandes oportunidades de sermos uma cidade cada vez melhor, com oportunidades para todos.
E se pensássemos o 4º Distrito como um pólo tecnológico, se ocupássemos os espaços abandonados em espaços de produção de conhecimento? Certamente isso significaria a renovação dos bairros porque isso traria mais movimentação na região, mais empresas no entorno, mais pessoas circulando, mais empregos, mais restaurantes e prestação de serviços... É uma rede, que precisa de um primeiro passo.
Existem dois projetos que poderiam ser a chave para o que falo aqui. O “Porto Alegre da excelência em inovação tecnológica” – que trata da divulgação internacional de Porto Alegre como cidade inovadora, e da participação no circuito das grandes feiras e eventos mundiais – e o “Inovação no campo da medicina de alta complexidade” – que trata do fomento às inovações que otimizem o segmento médico de alta complexidade com novos projetos, produtos e serviços. Só que esses dois projetos não tiveram mais do que 20% de seu orçamento executado.
Uma das formas de combater a insegurança é ocupar os espaços. A Porto Alegre do futuro que todos queremos começa a ser construída hoje. Isso significa fazer com que a tecnologia ocupe o espaço das indústrias pesadas. Isso significa unir as necessidades e os problemas de uma região – como o 4º Distrito – com as vocações da cidade, com o potencial que temos. Investir em segurança exige medidas transversais e esforços dos governos federal, estadual e municipal. Passa, também, pela valorização de cada bairro, que deve receber um olhar atento. Investir com esse olhar significa investir, também, nas pessoas e dar a elas condições de desenvolvimento e empreendedorismo.
Manuela d'Ávila
Artigo publicado no jornal GerAmigos
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